Sunday, February 8, 2009

1929 versus 2008/9

A crise econômica vai durar? Será como a de 1929, em que a bolsa despencou e continuou caindo até 1933?

Eu acredito que não.

Em ambas as crises houve um enxugamento de crédito e liquidez. A enorme diferença entre elas está na atitude dos governos federais. Em 1929, o governo do presidente americano Hoover alimentou a crise com medidas que retiraram moeda de circulação e mantiveram a economia engessada. Naqueles anos, o governo chegou a aumentar impostos, criou tarifas protecionistas (Smoot-Hawley tariff), manteve os salários elevados e por consequência obteve uma taxa de desemprego de 20%!

Os erros do passado foram aprendidos pelo atual presidente do Fed, Ben Bernank. O estímulo à economia está focado em aumentar rápida e substancialmente a liquidez no mercado. Isso está sendo feito através de redução de impostos, queda brutal nas taxas de juros, empréstimos às empresas e aos bancos e até estatização. É um plano inteligente e complexo que visa atuar em vários pontos do mercado: do incentivo ao consumo ao aumento da oferta de crédito e garantias. Outra questão interessante é a internacionalização e coordenação dos outros Bancos Centrais. As medidas são parecidas às adotadas na Europa e Japão.

Vai funcionar? Vai. São centenas de bilhões de dólares demais entrando no mercado. Um montante nunca visto na história. As ações das empresas estão baratas. Quando alguns indicadores começarem a reagir, principalmente emprego e PIB, os investidores retornarão às bolsas injetando outros bilhões na economia.

A questão central não é se a economia vai reagir, mas quando. O mercado já espera uma safra de péssimos resultados financeiros nos próximos meses. Isso afetará a confiança dos empresários e consumidores. É fato. No entanto, isso já é esperado, como foi destacado pela impressa que cobriu o Fórum Econômico de Davos: a situação vai piorar antes de melhorar.

De investidor para investidor, segue uma sugestão: compre quando o pessimismo se instalar e todo mundo estiver vendendo. Não tenho bola de cristal, não sei quando acontecerá, mas eu ficaria bem atento nos desdobramentos da crise nos próximos meses.

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